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- Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale de Açores -
Lendas da nossa Região
   

 

Lenda do Lago

Há muito tempo atrás, todo o centro do actual concelho de Mortágua estava ocupado por um vasto lago, de mais de 5kms quadrados de superfície, habitado desde o início do mundo por peixes de agua doce.
Um dia, chegaram os Mouros (ou os Romanos?) que resolveram drenar as águas do lago, abrindo para isso uma brecha nas rochas de Alçaperna.
Conseguiram assim secar a zona, que foi logo habitada e cultivada, passando a chamar-se Mortágua, ou seja, o sítio da Agua Morta
.

Quem subir ao monte Castro, também conhecido por Cabeço de Nosso Senhor do Mundo, pode observar que a parte dentral do concelho de Mortágua é ocupada por duas planícies verdejantes de, sensivelmente 1 km de largura e 5 kms de comprimento, que se juntam a Sul, perto da vila.
Segundo Aristides de Amorim Girão,concluímos que durante o período cretácico houve uma transgressão marinha que atingiu o interior dando origem aos depósitos de grés do Buçaco, que formam os afloramentos das bacias Lousã-Arganil e Mortágua-Tondela.
O braço fluvial ou lacustre, hoje desaparecido, é constituído por depósitos com disposição ganglionar e sem fósseis, ou seja, abundantes grãos de quartzo bem rolados, ligados por cimento argiloso o que provoca no grés uma tonalidade clara.
O tamanho e o destino desse braço, bem como o étimo que, posteriormente, lhe está associado, são motivo de controvérsia. Enquanto Heitor F. de Carvalho, "Contribuição Para o Estudo Geológico da Bacia de Mortágua", nos fala de uma depressão com cerca de 14kms quadrados de área, situada entre Santa Comba Dão e o Buçaco; José Lopes de Oliveira, "Guia de Portugal, Vol. III", afirma que a superfície rondaria os 30 kms. Guiando-nos pela sua linha de raciocínio, o lago teria sido «dessecado» no Séc. da era cristã pelo corte da parede da respectiva bacia, do lado Sul - ou seja,na garganta de Alçaperne.
O médico José Assis e Santos, "Mortálacum (Terra das Lagoas)", diz, no entanto: "uma elementar operação de nivelamento demonstra que as rochas de Alçaperne (as tais que constituíram a parede do lago, do lado Sul), não deram a cota precisa para o represamento da água poder cobrir as várzeas que cercam Mortágua, ou mesmo parte importante delas. A hipotese do lago carece, portanto, de exequibilidade topográfica", acrescentando, em contradição (?), "o conceito de potentoso lago de 5 kms quadrados ou mais, corresponde a uma realidade geológica provável (...)", cujo esgotamento ter-se-á dado nos finais da era Terceária e começos da Quaternária antes do dobramento-fractura pós-alpino. Dez anos antes, A. Fernandes Martins, já havia expendido a teoria segundo a qual a ideia vulgarizada pelo senso comum de que o passo apertado da ribeira de Mortágua, nas formações xistosas, foi rasgado pelos romanos ou árabes, era pura fantasia.
Para A. de Joseph M. Piel, o nome da vila justifica uma ordem insólita do ponto de vista românico-português, dos dois elementos constitutivos de Mortágua, fruto de um lago seco, morto, extinto; já Joaquim da Silveira, não admite a colocação do adjectivo epíteto morto, antes do substantivo lago, a que se liga, por contrário à regra, daí poder entender-se que estamos em presença de águas estagnadas, doentias?

 

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A Lenda do Juíz de Fora

D.Afonso IV determinou, por lei, que a justiça concelhia não fosse atribuída aos juízes da terra, mas a um juiz de nomeação régia.
Em Mortágua havia queixas contra um moço de espora de D. Gil Fernandes, senhor de Carvalho e Cercosa, a quem não era aplicada justiça por parte dos juízes do concelho. Para atender as reclamações foi nomeado um magistrado de Coimbra. Este não se eximiu a fazer cumprir a lei: mandou prender o criado do fidalgo ao pelourinho, de mod a ser vergastado
Quando D. Gil tomou conhecimento do facto, esperou o juiz no seu regresso a Coimbra. Agrediu-o, cortou-lhe as orelhas e o nariz. Temendo a fúria persecutória do rei, fugiu para Castela. Em 1340 participou ao lado dos castelhanos, na Batalha do Salado, contra os muçulmanos. Considerando a sua participação nesse evento, o rei D. Afonso IV perdoou-lhe a atitude e deixou-o regressar à pátria.

 

 

A Lenda do Juiz de Fora
(a outra versão)

Um juz de fora foi indicado para exercer justiça em Mortágua. No entanto abusou dos poderes que possuía. A população não gostou.
Um dia tocou o sino a rebate. O povo aprisionou-o, conduziu-o para além dos limites concelhios. Parece que para o lado oposto do rio Cris. Nesse local foi assassinado com recurso a alfaias agrícolas: forquilhas, sachos, etc.
O soberano tentou indagar da responsabilidade no sentido de haver punição. O funcionário régio encarregue da inquirição ia perguntando aos moradores de Mortágua que havia cometido o crime. O povo, à pergunta: "quem matou o juiz?", respondia: "Foi Mortágua". Esta resposta espalhou-se pelo país, daí ainda hoje se perguntar a alguém que nesceu neste município: "quem matou o juiz?". Como nem sempre a questão foi pacífica, podiam chover impropérios e agressões.

 

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Lenda de Nossa Senhora do Chão dos Calvos

Num vale, pelos fins do Século XV, inícios do seguinte, encontrou, um indivíduo calvo, da freguesia do Sobral, concelho de Mortágua, escondida na toca de um castanheiro, uma imagem da Virgem.
A notícia chegou aos moradores dessa freguesia, bem como aos de Pala. Os do Sobral achavam que a imagem lhe pertencia, por isso a levaram para a sua igreja. No entanto, a Senhora desaparecia desta igreja e voltava a ser encontrada no buraco do castanheiro.
Apesar de ser levada, de novo, para o Sobral, e a igreja da paróquia estar guardada, a imagem fugia sempre. Acabaram por ser os habitantes de Pala e erigir uma capela no sítio do seu aparecimento.

 

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Lenda da Argola de Ouro

Segundo a lenda, perto de Cortegacinha, concelho de Mortágua, terá existido uma aldeia que foi destruída por uma cheia, tendo a sua população desaparecido.
As águas revoltas transportavam uma argola de ouro que acabou presa num salgueiro. O salgueiro engrossou e a argola continuou presa, adaptando-se à medida da árvore.

 

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Lenda das Pastoras e dos Moiros

De acordo com a lenda, os Mouros que viviam em Cortegacinha, concelho de Mortágua, não tinham leite, e como passaram por lá umas pastoras com gado, pediram-lho.
Os Mouros colocaram no cesto do farnel de uma das pastoras algo, pedindo-lhe para não abrir senão quando chegasse a casa. Porém, ela foi curiosa e abriu-o antes do tempo e viu apenas brasas. Deitou-as fora.
Se ela tivesse obedecido, teria recebido em troca uma recompensa:ouro.

 

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Lenda do Penedo da Moira

Na freguesia de Pala, concelho de Mortágua, existe um penedo a quem o povo atribuiu o nome do Penedo da Moira.
Pesará, provalvelmente, mais de 10.000 Kg . A fazermos fé na tradição popular, este penhasco foi transportado à cabeça de outra serra por uma Moira que, entretanto ia fiando na roca.

 

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Lenda da Pedra Furada

Na freguesia do Sobral, concelho de Mortágua, existe um seixo branco a que chamam Pedra Furada.
Acreditando na lenda, existiu na pedra um buraco muito pequeno onde só cabiam as pessoas isentas de pecados.
Seguindo outra versão, este buraco servia para uma Moura, em dia de S. João, antes do Sol aparecer no Oriente, sair com o objectivo de assoalhar o ouro.

 

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Lenda da Ribeira da Moura

Na freguesia de Trezói, concelho de Mortágua, nas proximidades da ribeira da Moura, existe um penedo que, segundo a lenda, servia a uma Moura para, em dias de nevoeiro, estender o seu ouro, procedendo de seguida à sua lavagem. Após esta operação regressava às entranhas da terra.

 

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Lenda da Toca da Moira

Reza a tradição popular que, em Cortegacinha, concelho de Mortágua, existe uma pedra com uma ranhura. A pedra pode ser aberta. Dentro dela encontra-se escondido um tesouro cuja propriedade é de quem adquirir o terreno onde se encontra a pedra. Junto desta pedra há uma outra onde os Mouros construiram um forno. Para além do forno tinham também a maceira, que parecia uma banheira, onde amassavam o pão.

 

"Literatura Oral da Nossa Região-LENDAS", Volume I, Aguieira-Dão e Caramulo
Edição ADICES, 1ª edição, Maio de 1995

 
   
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